quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As aparências enganam

É um pássaro? Um avião? Não. É o Super Aécio

Dona Maria da Penha, uma lavadeira de Conceição do Rio Verde, cidadezinha do sul de Minas, comentava com sua comadre a respeito de quem votaria para preencher o cargo de presidente. A comadre disse que, para governador havia votado naquele moço bonito que falava pra um “programa de rádio que passava na TV”. Votou nele por ser muito simpático e ser amigo do ex-governador – este também muito bem-apessoado. Neste segundo turno também votaria em quem este moço indicasse, pois uma pessoa que parece ser tão boa, não pode querer apoiar um mau candidato.

É incrível como o eleitorado pode ser influenciado pela aparência e fama dos candidatos. Na última eleição para o cargo de Governador de Minas Gerais e no atual segundo turno da eleição presidencial ficou evidente tal fato. O apoio do ex-governador mineiro, Aécio Neves, foi e está sendo crucial para os resultados.

Porém, por trás de toda essa influência está a desinformação. Por que será que políticos e outros indivíduos da vida pública se importam tanto com sua imagem? Por que será que a comadre da dona Maria vai votar naquele moço simpático? Plástica, perucas, botox e um personal stylist. Esta é receita de parte do grande sucesso alcançado por eles.

O que antes, nas disputas políticas travadas no rádio era supérfluo, hoje se tornou uma das grandes armas de campanha. A imagem, antes apenas idealizada pela doçura, firmeza e boa sintaxe na voz do candidato, fazia com que a aparência não fosse tão importante e possibilitava que as reais propostas fossem apresentadas e absorvidas de uma melhor maneira pelos votantes. Hoje, o que se vê (o que realmente é visto) são políticos vestindo Giorgio Armani ou Prada, investindo em propagandas televisivas e, muitas vezes, esquecendo de transmitir ao eleitor suas reais propostas que, por acaso, não são baratear o custo da cirurgia plástica ou trazer acessibilidade aos cremes importados.

Na disputa pelo apoio para angariar votos aos candidatos à presidência, Aécio Neves aparece mais uma vez como o imaginado herói que fará com que seus eleitores decidam a atual rixa. O moço bonito e simpático aparece como o verdadeiro “salvador da pátria” na capa da revista. O resultado: pesquisas mostram que seu apoio carregará muitos votos e poderá consagrar seu apoiado como Presidente da República.

República, do latim Res publica ("coisa pública") aponta exatamente o contrário. O que deveria ser direito do povo torna-se direito daqueles que sabem manipular aquilo que têm para convencer a população de suas visões. Informação, do latim informatio, onis, ("delinear, conceber idéia") não apenas traça o caminho a ser seguido – o que deveria ser a verdadeira função informacional: dar um norte para que cada um conceba sua opinião; mas empurra cada eleitor a uma sinuca da qual não têm como escapar.

O que resta é o papel de “Gatekeeper” para cada uma de nós: filtrar aquilo que recebemos e apenas divulgar, através de nosso voto, nossa verdadeira concepção política/cidadã.

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