sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Maré vermelha

Muito foi questionado e contestado, mas o Brasil decidiu que o passado de Dilma Rousseff não a condena. A oposição de tudo fez para derrubá-la: tentaram resgatar suas cicatrizes de guerra, sua “pouca” experiência na política e até mesmo alegaram falta de autonomia em seu futuro governo – em vista do atual presidente tê-la apoiado e seu governo ter sido a base das idéias da candidata.

Nada disso adiantou. A onda azul que tentava chegar aos eleitores de maneira rude, atacando seus oponentes, foi encoberta pela maré vermelha que mostrou respeito com seus 56% de votos. Os eleitores preferiram acreditar no que está dando certo, ao invés de apostar numa presidência desconhecida. Como popularmente dito, não era a hora para “trocar o certo pelo incerto”.

Voltando ao assunto das campanhas, há de se admitir que ambos os candidatos do segundo turno faltaram às aulas de etiqueta e boas maneiras. Os maiores argumentos apresentados não foram seus ótimos planos de governo, mas sim o ataque direto aos “podres” do adversário. Falsas perícias foram cogitadas; briga de baixo nível.

O quê há de se esperar do Brasil quando seus maiores representantes estão alheios às vontades do povo? Travam uma guerrinha particular para lavar roupa suja perante milhões de espectadores e se esquecem que esses mesmos espectadores não se importam tanto com o passado de cada um, mas sim o que eles têm a oferecer para o futuro.

Quatro anos são muita coisa para serem desperdiçados. Por isso o povo brasileiro se atentou ao que melhor lhes convém: se o governo atual é bom, então devemos continuá-lo. Se a continuação do governo atual é uma mulher com propostas que podem melhorar ainda mais o que temos de bom, então devemos continuá-lo. Se com isso elegermos, inclusive, um marco para a história brasileira: a primeira mulher presidente; então devemos continuá-lo.

Mas Dilma não é só uma extensão de Lula. Como aparentou nas entrevistas pós-eleição, ela está disposta a mostrar sua autonomia e a força feminina na política. Pretende alavancar a economia no Brasil e assegurar a tão falada “Liberdade de Imprensa”. Quanto aos próximos anos de governo Petista, se suas propostas forem cumpridas, só podemos dizer “Que assim seja”.

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